Artigo
de 21/06/2000Cuidados ao projetar um ambiente comercial
Arlene Lubianca
Nós, arquitetos, vaidosos por natureza, temos que usar toda a nossa objetividade e conhecimento técnico para projetos comerciais.
Não basta querermos fazer o melhor e mais lindo projeto, usando técnicas e materiais "up to date" e o sistema luminotécnico que vimos na última Euroluce em Milão. Nada disto nos garante o sucesso.
Mas, pensando bem, queremos nós, criadores com ego inflado, o sucesso do nosso projeto para a nossa comunidade de colegas ou buscamos o sucesso da operação para o nosso cliente, criando um ambiente vendedor para seu público alvo? A resposta a esta pergunta será, sem dúvidas, um divisor de águas.
A nossa experiência de 24 anos neste mercado nos garante, com certeza, que aquele que nos contrata quer resultados financeiros, clientes felizes, comprando e retornando.
Qual o segredo, afinal?
Precisamos, humildemente, unir o nosso conhecimento técnico com o conhecimento de mercado do empresário que nos contrata. Somente a soma respeitosa destas duas culturas poderá resultar num projeto vendedor. Após identificar local, público alvo, características e valores da operação (preço baixo, exclusividade ou serviços diferenciados), poderemos começar a pensar no projeto.
Para fixar estes valores, temos que criar sinergia entre criação da marca, embalagens, visual merchandising, uniformes, frota e projeto arquitetônico. Iluminação mais teatral ou difusa branca, porta de entrada pequena e exclusiva ou grandes aberturas para o público, vitrines limpas e com poucas mercadorias ou excesso de mercadorias denotando grande variedade e baixo custo, são fatores que, inconscientemente, traduzem esses valores.
Os cuidados recomendados para uma operação de sucesso são muito mais relativos ao saber ouvir o cliente, pesquisar a sua operação e usar corretamente os conceitos técnicos, estes sim, à disposição de todos os profissionais da arquitetura.